31 maio 2008

Não fiques aí!



Não fiques aí parada
Dobra a esquina e corre de louca
Vem sentar-te em meus joelhos já cansados da espera
Em ânsias desmedidas acolho-te numa aventura inimaginável.


Antevejo a lua em ascese de quarto crescente
O crepúsculo logo seguido do amanhecer dos pássaros.


Não fiques aí parada
E acomodada.
Vem sentar-te ao pé de mim
Talvez haja um lugar para nós ainda.
Talvez aqui, noutro ou em lugar nenhum…


Mas vem…
Não me deixes só…
Vem sentar-te em meus joelhos…!



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30 maio 2008

Sinais




Trago no peito
Sinais de violência
Marcas evidentes
De um amor ardente
De um amor perdido.


Ao rochedo me agarro
Mas falta o alento
De continuar perdido
Neste mísero castigo.

Nestas pedras que piso
Frias
Insensíveis
Nelas vomito.



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29 maio 2008

Sorri!




Sorri! Sorri! Sorri!
Sempre.
… mas fica calada.


Sorri!
… e depois de sorrires… sorri uma vez mais.
E deixa-te cair molemente no chão.
Fecha os olhos a sorrir…

Em ti deposito todos os meus beijos ao fim da tarde.



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28 maio 2008

Se...




Se um dia me vieres visitar
Diz-me ao que vens
Se um dia tua mão abrires
Com a minha responderei
Se um dia em meus lábios tocares
Os meus te oferecerei
Se um dia teu coração mostrares
Em chamas o meu se te abrirá
Se um dia voltares
Em meus braços te receberei
Se um dia…
Novamente me amares
Eu também…



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Praia deserta




Algures na praia deserta
Te sinto e absorvo no orvalho da manhã
Que nasce…



O dia desponta
E a tarde se faz tarde



Até que a noite vem cansada de esperar…




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27 maio 2008

Câmara escura



Lentamente…
A imagem vai surgindo
Na chapa branca
Impávida, segura e ténue
Vai surgindo diante de mim
Admiro-te…
Na fotografia!

Mas…
Olhando a eternidade
Em escassos segundos
Tudo escurece…
Imagem desfocada
Espera inútil!
Lentamente
Desaparece…
A imagem branca, insegura.

Escapas-me e
Tudo esmorece
E desaparece…
Tudo escurece!

Foto queimada
Tempo perdido
Aqui…
Na câmara escura!

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Deixa-me permanecer…



Deixa-me permanecer aí
E percorrer-te de mão abertas e disponíveis.
Deixa que solte palavras mudas de meus dedos ansiosos
E em gritos surdos me agite
Na aurora do sonho em que me embalo.


Envolvido em tua leve respiração
Eu respire de ti
Na fusão desse ser que me atrai e confunde…


(Na berma da estrada
aguardo que um anjo me conduza à essência do meu ser)

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23 maio 2008

Lembra as noites de verão




Lembra as noites de verão em que nos conhecemos…


Foi numa dessas
A primeira
Em que nos encontrámos
E abraçados nos demos
Vestidos nos entregámos às estrelas e aos deuses.


Hoje aquela estrela não brilha.
Já esqueceste as tardes quentes de verão?
As noites húmidas em que acordados permanecíamos?


Já lá vem Setembro
E com ele a tristeza dos dias pequenos
Eles me falam de ti.


O vento
O sussurro das ondas
Que a noite se nos abre.
(Fiquemos para a madrugada…)


É à noite que o nosso sussurro mais íntimo se faz ouvir
É na frescura molhada da madrugada que nos acoita
É a noite escura das carícias
É a lua que nos impele…



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20 maio 2008

Do mar, em noite de chuva… com dedicatória!



Adivinho-te na pouca ou muita distância
Sem saber o lugar…

Para além das montanhas
Em que te refazes e sobrevives
De esperas e quimeras
O oceano é uma miragem.

Adivinho-te na ténue silhueta
O rosto semi-oculto
Na distância que nos separa.

Tua voz quase imperceptível
Deste marulhar das águas
Tranquilos, chegam-me teus sussurros salpicados.

Através do clarão do farol
Olho-te entre neblinas
Mas não te vejo…

Aqui, onde o mar tem a cor do teu intenso desejo
Quieto e mudo
Sinto apenas que por perto permaneces…

(Deste mar
A cor com que te vestes… fica-te bem!)



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Entre vagas...


Entre as vagas e as dunas
A praia
Recoberta de nostálgico
Horizonte rubro de sol
Pálido de tanta noite.

Na areia
Os resíduos
De amor consumado.
Eufórico e maldito.

Além das dunas
Aquém das vagas
Apenas os resíduos…

Tudo o mais é sol poente
Crepúsculo de morcegos
Noite de maus pensamentos.


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19 maio 2008

Oceanos

Ontem andei de barco
Num mar imenso
De púrpura agitado
E comigo a solidão
O sonho queimado
Fugidio
Desesperado…

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Espera / Três minutos



Espera
Longa espera
Um dia de mãos vazias
Neste silêncio duro.

Dói-me o silêncio
A alma se esvai
Em púrpuras golfadas de vida
Silêncio impertinente
Indesejado
Mal-amado.

Momento fugaz
Sonho esbatido
Flor que murcha
De tanto amor dar.

(E logo voou, desacorrentada,
De um longo caminhar.)

















Três minutos depois…

Espera Breve Espera Áspera
Que breve ainda




Hoje me deitei só…



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14 maio 2008

Ao partir




Vou-me, pois faz-se tarde…
Vou-me com a esperança
E as manhãs que
Os espaços habitam
Na ternura deste momento…
Vou-me sem a glória,
Mas com estes dedos
E os ocasos
Onde tudo tomou sentido
E saudade…
Vou-me em espera,
Mas de pé..


(Laura Isabel in “Para Lá do Rosto, Poemas”, Metanoia - Porto, Maio 1983)


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