24 julho 2008

Em noite de lua acesa




Em noite de lua acesa
por ti estas palavras apressadas
- Porque me foges sempre que te olho nos olhos?
Mostra-me clara a fisionomia do teu rosto perdido no espaço
e dir-te-ei quem és e com o que sonhas
Adivinhar-te-ei de igual modo no teu desejo as estrelas cadentes
- Tens receio?
Não! Olha-me de frente
Fita-me nos olhos já gastos
E juntos aprendamos os estadios da paixão…


Em noite de lua branda
olhemos juntos o espaço aberto
de uma janela sem horizonte definível
inquietante
E encontraremos lá no limiar mais próximo do infinito
Aquela estrela brilhante…



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15 julho 2008

Canto mágico



Da tarde cinco horas em que a espera se faz breve neste canto e tardia
de uma porção deste mar de onde
oiço um zumbido constante feito comboio
mas são barcos que entram naquela enseada feita porto de abrigo.

Aqui me detenho enquanto que o voo de gaivotas me trazem de longe
o cheiro das tâmaras
o vislumbre desse longínquo planalto onde habitando
te entregas não sem a hesitação dos iniciados ao labor do vento feito ternura.

Sinto-a leve
a respiração ofegante saída da garganta com os pássaros
numa tranquila ansiedade prevejo-te muito de mansinho e
ao de leve roças de desejo o meu já refeito
da impossibilidade de te não poder ter.

Daqui onde os barcos aportam
o sonho torna-se mais leve de insuspeita vontade de te amar longe
daqui deste abrigo feito porto de misteriosos desembarques
onde há um nome que sem ser o da rosa
nem do pássaro que me sobrevoando
me trespassa de arabescas pronúncias…

Daqui há um nome feito nó na garganta muda
De onde te revendo quero-te
nesta tarde da intensa espera…



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13 julho 2008

Blues… Ten Years After




TenYearsAfter#001 [JMB]






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TenYearsAfter#061 [JMB]TenYearsAfter#062 [JMB]TenYearsAfter#063 [JMB]

TenYearsAfter#066 [JMB]TenYearsAfter#069 [JMB]TenYearsAfter#070 [JMB]



Terminado o concerto de blues dos ressuscitados Ten Years After, em 11 de Julho de 2008, no Cais de Gaia, V. N. Gaia, ocorre um texto datado de 1981.



TenYearsAfter#015 [JMB]



Blues
Blues de terra batida
Blues de azul escurecido no tempo fútil
Vontades anexadas pelo desejo mórbido da inércia
Blues do meu sentir
E daquele que não sei se meu ou de outrem
Blues de guitarra de cordas partidas
Blues de estradas vazias
Blues de gente à procura de si
Perdida na escuridão da cidade
Blues de seres inertes pela fome
E pelo desespero de não haver esperança
Blues de constante inconsciência por onde caminhamos

Blues de seres inertes sem emoção
Blues de almas simples
Blues de harmónica entre os lábios
Batendo o pé em ritmos sincopados
Blues dos que tudo têm e não têm quase nada
Blues de homens de esbatida fé
Blues de refugiados em sinuosas virtudes

Blues de egoístas
Porque esses… somos todos nós!
 
BLUES… BLUEs… BLUes… BLues… Blues… blues…



TenYearsAfter#080 [JMB]




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10 julho 2008

Sul... Sudoeste

"Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir."
(Do prefácio de Miguel Sousa Tavares no seu livro "Sul, Viagens" )




Fascínio pelo Sul!
Da terra. Das coisas. Das gentes.
Caminhos de aventura e sensualidade.
Da descoberta e da irrefutabilidade dos momentos...
Da correnteza da nossa irracionalidade...

Dos encontros e desencontros da vida.
A magnitude dos sentidos
... a caminho do Sul...

http://erg-chebbi.spaces.live.com/photos/cns!DE73F295A1A3D455!4053/


A propósito - ou nem tanto - do meu álbum de fotografias "Parque Natural do Sudoeste Alentejano", um poema do meu primeiríssimo Grande Poeta:



Rente à Fala (excerto)

(…)

Esta terra de sol esta terra ainda
é bem ela esta terra inocente
este corpo há que deixá-lo ser água
não é fácil separá-lo da luz
quase nua esta terra agora minha.

Nós éramos como já disse e não vou recomeçar
a bem dizer outra vez o riso das crianças.

Inventar a cor primeiro das laranjas
depois o sol escorrendo dos lábios
só depois o trevo só depois a neve.

Um dia te direi como é de vidro
a casa onde o rasto do verão
no silêncio perde o nome a cal
o mar a liberdade de vaga em vaga
há um galo que canta sem razão.

Hão-de passar as cabras o outono
sobre as falésias noutras dunas
entre os juncos os olhos do pastor hão-de passar
em profusão as aves quase de vidro
não ser senão esta luz molhada a caminho de sesimbra
inclinada como quem escuta
em ruínas o verão as areias –
assim nos lábios morrem sílaba a sílaba
o branco dos muros as aves marinhas.

Há um bosque casualmente nesta mão
há um homem neste poema e envelhece.

(…)

Com as cegonhas a voarem para o sul
estava agora mais perto das nascentes
já nem dos choupos brancos me lembrava
nem das torres acesas do outono
mas sabia que me aproximava do meu nome.

Com as águas aprende-se a dormir –
agora no outono descem devagar
sobre a sombra a memória das colinas
os leves trilhos a luz extraviada
a relva os garotos que se despem rindo
inumeráveis no verão de outros dias
os girassóis a caminho de casa.

Agora que regresso à evidência da cal
dai-me um pouco de água para a festa do sol sobre os lábios.

(…)

Amanhã saberei em que regaço
as palavras se dispõem a dormir.

(…)


(Eugénio de Andrade in “Limiar dos Pássaros”, Limiar Editora, Porto, 1978, 2ª Edição)

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08 julho 2008

Da espuma dos dias…




Do vento
da espuma húmida das marés
salpicos de sal cobrem-me o corpo semi-nu
em ósculos de inusitado prazer.


Do frenesim conturbado das ondas
a nordestina brisa da tarde
ameaçando-me de inesperadas ternuras
fala-me de ti
numa embriaguez de te acolher neste mar.


Sendo meu só, ofereço-to abundante do incerto devir…
Deste mar incauto
guardo-te o sal
as mãos…
… e um beijo!



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05 julho 2008

Niña Morena y Ágil




Moça morena e ágil, o sol que faz as frutas,
o que dilata os trigos, o que retorce as algas,
fez o teu corpo alegre, os luminosos olhos
e essa boca que tem o sorriso da água.


Um sol negro e ansioso enrola-se-te nos fios
da negra cabeleira, quando estendes os braços.
Tu brincas com o sol como se fosse um esteiro
e ele deixa-te nos olhos dois escuros remansos.


Moça morena e ágil, nada de ti me abeira.
Tudo de ti me afasta, como do meio-dia.
Tu és a delirante juventude da abelha,
a embriaguez da onda, a força que há na espiga.


Porém meu coração sombrio te procura
e eu amo o teu corpo alegre, a tua voz solta e fina.
Borboleta morena, suave e definitiva
como o trigal e o sol, como a papoila e a água.


(Pablo Neruda in “Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada”, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1977, Edição 1 W 525)




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03 julho 2008

Azuis



Diariamente me interrogo se vale a pena…
Se te devo falar
Ou apenas seguir-te

Diariamente concluo que as manhãs de Agosto contêm os azuis mais puros…



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01 julho 2008

Palavras significantes




Empresta-me os teus símbolos com que brincas
na areia fofa e dourada
de um intempestivo silêncio que te dói...

Procura-me na ausência das palavras - que é o que tenho - na noite
que não me pertence
e pode ser nossa
nesse banho de chuva com que me inundas
morna
suavemente escorrida em minha pele nua
seca
de mil esperas...



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Voltei!




Voltei! como se daqui nunca houvesse saído...

Levei-te comigo numa madrugada feita ensejo
de te não perder impaciente
pela estrada poeirenta junto à falésia
se entranhando
o pó
o doce chilrear das andorinhas me falavam de ti...

E de um murmúrio esse mar tão perto
intenso aroma salgado
como se estivesses mesmo ali
diante de mim
tu
... onde não te vejo...



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