27 outubro 2008

Quem?... Só tu!





“Quem?”



Só tu estarás quando eu estiver só à lareira


Só tu me beijarás os olhos como agora o fazes


Só tu sentirás a poesia,


Da melodia que será nossa vida inteira


Só tua carne eu sentirei na minha


Só teu corpo apertarei, forte, no meu


Só contigo eu esperarei que apareça a lua


Só a ti oferecerei todo o meu dia


Só tu meterás teu braço no meu braço


Só tu me farás as meiguices que agora fazes


Só tu, meu amor, me darás os beijos que agora já são meus




Oh Deus, que alegria, só tu na minha vida


E a felicidade infinita


De seres para mim aquilo que hoje já és…




(Inspirado num poema de autor incógnito)


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25 outubro 2008

Azul indigo

Há uma estranha melancolia depois de me abeirar deste mar...
Aqui onde a solidão por vezes se torna pesada
Todos os pensamentos - a todo o instante - correm velozes naquela direcção…
Se algo perdi ou se ainda nada ganhei
De ti apenas sei o nome
O rosto vedado
E corpo incerto
E a saudade - essa imensa tortura – do que há-de vir
De te vêr sem nunca ter poisado os olhos nos teus
Sem nunca ter tocado tua mão e dizer-te…
Nem me ter deitado…

… envoltos num qualquer lençol de linho azul indigo...
Acorda bem, meu amor poético…





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23 outubro 2008

O Recreio








Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar –
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar…


- E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar…


Se a corda se parte um dia,
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada…


- Cá por mim não mudo a corda
Seria grande estopada…


Se o indez morre, deixá-lo…
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca… Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive…


- Mudar a corda era fácil…
Tal ideia nunca tive…



(Mário de Sá-Carneiro in “8 Poemas escolhidos”, Colecção brevíssima portuguesa, Civilização, Porto)




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15 outubro 2008

Silêncio urgente

As ditas malditas palavras mal ditas

Malditas ditas palavras mal ditas

Mal ditas palavras ditas malditas

Malditas palavras ditas ditas malditas

Ditas as palavras

Palavras malditas

Mal ditas as palavras


Palavras

Ditas

As mal ditas

Malditas

Mal ditas

Malditas palavras

As ditas malditas


… urgente o silêncio!



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14 outubro 2008

11 outubro 2008

Transe




Deixo-me ficar neste tempo neste lugar onde
Das areias e do mar simbióticos com os azuis do céu
Apetece-me aqui eternamente permanecer
(eterno… talvez um tempo longo demais)
Onde o vislumbre dos teus olhos
Neste equidistante estado de graça
De alma pouco apoquentada
O amor mudo da cor das dunas
O odor apenas do desejo irrompido
E translúcido das marés
Amar-te apressadamente desta longitude no entanto
Paciente de longa espera.


Fortuito e aplanado impasse
Quimera atingindo-me no auge
No âmago do sentir
Como sentinela abstraída de sua guarita
Olhando num futuro próximo de impaciente devir
Amar assim no cheiro das coisas e de teus cabelos
Feitos trança
De pescoço esguio assente nos ombros
No encaixe de teus seios imaginários
Em minhas mãos…


Segurando-te o desejo exasperado nos meus lábios
Mornos na ingenuidade de tuas ancas
Vislumbrando a noite dos grilos e das relas que se calam.


Pelas tuas coxas passando os barcos sem destino
Da vulva fugidia a inocência de uma dança sem fim
Nesta praia ainda deserta
Num fogo por nós ateado imenso a nossos pés.


Dancemos este hino até ao raiar do dia claro
Desta madrugada do ser do sentir do existir…
… cansado de te querer!







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08 outubro 2008

Um vento...




Um vento, varrendo a praia, me trespassa o corpo
Fazendo gelar meu coração.
Um doce marulhar, tranquilo, me desperta os sentidos.
Olho, cheiro, oiço e sinto…
Sinto-o bem perto de mim, no fundo do meu espírito.
E fica a nostalgia…




Oh…
Desejo ardente de ser fogo, queimando!
O sentir tua respiração leve e calma no meu rosto
Tuas mãos percorrendo meu corpo, ansiosas
E tua boca mordendo
Sorrindo…
Teus dedos brincando
Teu olhar sereno e límpido no meu
Penetrando…
De um sopro só por despir esse corpo maravilhoso eu morro!




Ah… esse calor de mulher, escaldando…!
Mordê-lo… rasgá-lo…
Num frenesim danado…
Como cão lambendo a ferida assim serei eu
Beijando esse jovem corpo de neve.
E o prazer desse seu cheiro doce e feminino eu quero
Bem fundo…
Dessa tua boca quero sentir correr como de uma fonte fresca
Esse suco delicioso que só tu possuis!




E um só desejo me assalta, traiçoeiro…
Num só gesto possuir teu corpo contra o meu
Apertando…
E docemente esperar…
Esperar…
A Primavera em flor sentindo-a chegar
E o gozar desses dois seres vagabundos nesta loucura de ser fogo
Ser água
De ser sol, ser lua
De ser vento, ser chuva.



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Dia claro


Penso no dia claro

Em que o sol brilhava

Das lágrimas tardias de Outono

Os sorrisos quentes

De uma noite de Verão




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02 outubro 2008

De cal e mar...





Brindemos aos nossos amores
Feitos de cal e mar
E lua plena.


Que nossos olhos oceânicos brinquem
No indomado horizonte
Em que as falas e os silêncios
Pendurados
Tranquilos floresçam fartos.


De ti
Apenas as juvenis quimeras
Insensatas
Cansadas de esperar...

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