31 julho 2009

Antes de partir… com Crystal Silence



A poucas horas de assistir ao concerto de Chick Corea & Gary Burton, integrado no New Crystal Silence Tour, cabeças de cartaz do Porto Blue Jazz ’09, nos jardins do Palácio de Cristal, , deixo aqui o convite e a recordação, em forma de homenagem a esses dois gigantes da música improvisada.



CrystalSilence,Corea e Burton [JMB]



Crystal Silence, de Novembro de 1972,  é um disco incontornável, cheio de atmosferas diversas - um  autêntico hino à fantasia, à sensibilidade e ao virtuosismo dos artistas -, um dos mais importantes da história do jazz!
E só depois partirei…




La Fiesta de Chick Corea & Gary Burton em Chapiteau de Marciac, França, 31/07/2007



Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir.

(Do prefácio de Miguel Sousa Tavares ao seu livro "Sul, Viagens")






Fascínio pelo Sul!

Da terra. Das coisas. Das gentes.

Caminhos de aventura e sensualidade.

Da descoberta e da irrefutabilidade dos momentos...

Da correnteza da nossa irracionalidade...

Dos encontros e desencontros da vida...

A magnitude dos sentidos...

... a caminho do Sul...!



(30.Julho.2008)



 
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19 julho 2009

Um Certo Lugar…



Aos que lá tendo estado deixaram um pouco do seu coração



UmCertoLugar #003 [JMB]UmCertoLugar #019 [JMB]



Existe neste país encantador um lugar
para lá do Tejo recostado na serra
antes desse imenso Alentejo desfeito na planície
muito antes do alcance do oceano
cuja porta de entrada é
azul ou amarela ou alegre



UmCertoLugar #007 [JMB]UmCertoLugar #014 [JMB]


Contíguo a um campo de girassóis
existe imaculado escorreito
simples e sem comunicações móveis
onde as pessoas sorriem caminhando devagar
pelas ruelas se entrecruzando
com memórias da infância


UmCertoLugar #004 [JMB]UmCertoLugar #006 [JMB]


A terra é fértil
fica-se ébrio ao romper da aurora
um homem cura a dor de dentes com o bagaço da terra
os amigos trocam abraços ainda desconhecidos
onde os beijos florescem nas bocas
perpetuadas e ansiosas


UmCertoLugar #002 [JMB]UmCertoLugar #005 [JMB]


No Alto Alentejo existe um lugar
encostado a um outro país
apenas um pontinho no mapa
onde se entra sem vontade de regressar
desenganando-se o turista incauto porque
esse lugar somente se visita com o coração


UmCertoLugar #008 [JMB]UmCertoLugar #010 [JMB]


Em Alegrete dão-se as mãos
alargam-se os sorrisos
e os homens pegam os toiros com ingenuidade
Escutam-se as cigarras e o vento sibilante
também se escuta de coração
nas mãos


UmCertoLugar #001 [JMB]UmCertoLugar #009 [JMB]


que enxaguam lágrimas furtivas quando partes
E fazem-se longos silêncios num escutar das batidas
afastando-te
Em Alegrete é pesado o silêncio quando vais…
Recolhem-se as mágoas num copo de vinho
ou num leito cúmplice…


UmCertoLugar #011 [JMB]UmCertoLugar #012 [JMB]


Em Alegrete esquecemos o tempo num eterno presente
mas só até ao dia seguinte porque
em Alegrete não existem razões para chorar afinal
porque o que nos ofereces - força e esperança -
são energia vital com que nos alimentas
Em Alegrete o abraço é mágico e contundente


UmCertoLugar #016 [JMB]UmCertoLugar #017 [JMB]



E a espera enlouquece
nesse recanto muito pequenino perto da igreja
onde as entregas são genuínas e verdadeiras
Em Alegrete no teu quintal
o horizonte é mais azul
lá onde tão rapidamente se refaz a saudade…



UmCertoLugar #013 [JMB]UmCertoLugar #015 [JMB]





UmCertoLugarEmAlegrete#001 [JMB]



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11 julho 2009

Para que se veja! (Falso díptico com dedicatória...)



FALSO DÍPTICO
[a partir de uma ideia de um certo Fotógrafo, supostamente… mas ele não sabe!]




Branco [JMB]  Preto [JMB]




Explicação breve para uma melhor leitura das imagens



Porquê o Preto e o Branco?

Desde muito cedo que o inabalável fascínio pelo P&B permanece intocável.
Por ser o veículo encontrado e assumido na interpretação e transposição da realidade, à posteriori legendada e transformada.

Porque o que interessa na imagem não é a cor que dela imana mas, tão-só, a sua verdadeira estrutura que, inexoravelmente, lhe confere forma, conteúdo e interesse.

Tantas vezes a cor se revela, afinal, enganadora, atraiçoando a génese e o seu fundamento.
Tantas vezes a ilusão arrebatadora de um azul-celeste, de um verde viçoso ou de um rubro incandescente nos apaixona…

No entanto e amiúde o essencial fica prisioneiro invisível e camuflado nas cores do nosso deslumbramento.

Por isso o P&B é sincero.

Por isso o P&B é estrutural.

Por isso o P&B está na origem de todas as coisas.

Por tanto e por mais ainda o P&B é rude e directo. Ou diz ou simplesmente não diz nada.

Será sempre necessário uma atenção secundária – mas essencial – para nos despirmos, para despir a imagem das cores com que se adorna e procurar na sua raíz esse incomensurável universo dos cinzentos.

É aquela luz subtilmente captada que revelará a verdadeira geometria dos sonhos.
A íntima textura de um corpo. De luz…

Pelo que a eterna sedução pelo P&B tem que vêr, tão simplesmente, com a origem, a verdade e a essência das coisas.




IMAGEM CLARA
original de Abril de 2008
 
IMAGEM ESCURA
editada em Março-Junho, (re)toque final em Julho de 2009
 
 


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