25 setembro 2009

Ria de Alvor




Ria de Alvor #057 [JMB]





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A Ria de Alvor localiza-se no barlavento algarvio, entre as cidades de Portimão e Lagos. Forma um amplo e complexo sistema estuarino, para o qual drenam as ribeiras de Odeáxere e Arão, a poente; e as ribeiras do Farelo e Torre, a nascente, com origem nas Serras de Monchique e Espinhaço de Cão. A zona lagunar encontra-se separada e protegida do mar por duas línguas de areia, a Praia de Alvor a nascente e a Meia-Praia a poente, rodeando dois promontórios, a Quinta da Rocha e a Abicada. 



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Para quem vem de Lisboa, seguir pela A2 e depois pela A22, saindo no nó de Alvor. Para chegar à Quinta da Rocha, na EN125, no cruzamento da Mexilhoeira Grande – vila situada entre as cidades de Portimão e Lagos – virar para Sul, 150 metros mais à frente atravessar a passagem de nível e seguir em frente, cerca de 2,5 km, até chegar junto do sapal e estuário.

Aqui pode-se deixar o carro e explorar a pé o dique. No caso de querer explorar a Ria de Alvor a partir do sistema dunar deverá tomar a direcção de Alvor. Aqui chegado, deixar o carro na zona ribeirinha e seguir a pé entre o sistema dunar e o estuário/sapal até ao molhe e regressar pela praia.  



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Atravessam-se campos agrícolas, grande parte abandonados, dominadas por culturas de pequena dimensão compostas por amendoeiras, oliveiras, alfarrobeiras, romãzeiras, marmeleiros e figueiras, bem como alguns pequenos pomares de citrinos e baldios.

Os seus 1700 hectares compreendem o estuário, dunas, sapais e salinas, bem como as penínsulas da Quinta da Rocha e da Abicada com os seus habitats mistos de mato, floresta e agricultura. 



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Foi designada sítio da rede Natura 2000 devido à presença de espécies e habitats prioritários, a nível europeu. Apesar de ser uma zona relativamente pequena no âmbito da Rede Natura 2000 em Portugal, deve ser reconhecido à Ria de Alvor o seu elevado valor intrínseco, em termos de biodiversidade:  



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- a existência de 19 habitats de interesse comunitário, incluindo três habitats prioritários (lagunas costeiras; estepes salgadas mediterrânicas; dunas fixas com vegetação herbácea);

- 6 espécies, incluindo uma espécie de conservação prioritária;

- 290 espécies de aves, mais de 500 espécies de plantas vasculares, mais de 500 espécies de mariposas (incluindo 275 espécies de macromariposas), 75 espécies de borboletas, 200 espécies de coleópteros e  104 espécies de ictiofauna.  



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É a mais importante zona húmida do barlavento algarvio e constitui a última zona verde não desenvolvida em termos urbanísticos desta frente marítima. Constitui um importantíssimo ponto de passagem ornitológico do corredor migratório Atlântico-Este.

A Ria de Alvor é uma zona pequena com delicados equilíbrios ambientais, mas muito valiosa como catalisador para um turismo de qualidade de enorme potencial económico para todo o Algarve.  



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Os sapais da Ria de Alvor são frequentados por diversas espécies de limícolas, que aqui se alimentam durante a preia-mar. É fácil observar fringilídeos (pintassilgo, chamariz, verdilhão, pintarroxo) e ainda trigueirão, pega-azul, poupa e, na época de nidificação, durante o dia no topo de um poste telefónico ou casa em ruínas, o mocho-galego.

Nas áreas de pastagem, a acompanhar o gado bovino ou caprino, temos garças-boieiras. No Verão, o abelharuco e as diferentes andorinhas mostram sua beleza e agilidade.  



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Raridades:

Ganso-de-faces-pretas, pato-ferrugíneo, eider, pato-de-cauda-afilada, tarambola-americana, abibe-sociável, pilrito-semipalmado, pilrito-de-uropígio-branco, pilrito-de-colete, perna-verde-fino, maçarico-solitário, maçarico-sovela, moleiro-rabilongo, gaivota-de-bico-fino, gaivota-de-
bico-riscado, garajau-real,andorinhão-pequeno, petinha de Richard, chasco-de-barrete-branco, felosa-agrícola, felosa-icterina, felosa-bilistada, escrevedeira-rústica.  



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Nos campos agrícolas, durante a migração outonal é possível observar o movimento de centenas de passeriformes que procuram áreas de repouso e alimentação durante esta epopeia que é a migração.

Destacam-se como migradores de passagem chasco-cinzento, rouxinol-pequeno-dos-caniços, felosa-poliglota, felosa-das-figueiras, toutinegra-de-barrete-preto, felosa-comum, papa-moscas-cinzento, papa-moscas-preto, bem como outras espécies de felosas.

No Inverno é comum observar alvéola-branca, pisco-de-peito-ruivo e rabirruivo-preto. Ao longo do ano, para além das aves associadas a campos agrícolas, é possível encontrar o alcaravão.  



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Na área de sapal pode-se observar flamingo, garça-real, garça-branca-pequena, maçarico-de-bico-direito, borrelho-de-coleira-interrompida, borrelho-grande-de-coleira, pernilongo, cotovia-de-poupa e muitas outras aves limícolas.

Na laguna, durante a maré vazia, as gaivotas-argênteas descansam nos bancos de areia a descoberto. Entre elas há sempre a oportunidade de ver outras espécies de aves como o corvo-marinho-de-faces-brancas, o ostraceiro, o pilrito-das-praias, o garajau-comum e o garajau-grande.

Na época de nidificação, a andorinha-do-mar-anã encontra nesta área um local privilegiado de alimentação, nidificando no sistema dunar que separa a ria do mar.  



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Junto às salinas, nos bancos de vasa e sapal que se encontram na ribeira de Odiáxere, a presença do maçarico-galego, da rola-do-mar e da tarambola-cinzenta não passa despercebido. Aqui, e ao longo dos diques, durante os meses de Inverno, esconde-se o pisco-de-peito-azul.

No Verão a alvéola-amarela mostra os seus voos graciosos nas áreas interiores de sapal. 



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18 setembro 2009

No Teu Deserto




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Houve um tempo em que foi moda ir ao deserto.
Sou desse tempo…  e de outros!

No tempo da moda nunca fui; fui testemunha tangencial. Qualquer verdadeiro aventureiro tinha de ir  ao deserto mas fazer a sua travessia já é outra coisa.

Promovi algumas viagens (de forma completamente generosa e sem ganhos financeiros) para que outros pudessem ter a oportunidade de experimentar algumas das emoções e sensações por mim vividas quando para lá embarquei  de moto, pela primeira vez, no longínquo ano de 1989.



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Servem estas linhas para introduzir dois excertos desse delicioso poema - em forma de prosa - de Miguel Sousa Tavares.

No teu deserto não é um diário de viagem - longe disso, embora se cruze com Sul em A pista para Tamanrasset  - mas antes uma verdadeira e emocionante experiência interior, num curto mas eterno encontro de almas.

Pleno de doçura, sensibilidade… e poesia!







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Na verdade, o deserto não existe: se tudo à sua volta deixa de existir e de ter sentido, só resta o nada. E o nada é o nada: conforme se olha, é a ausência de tudo, ou, pelo contrário, o absoluto. Não há cidades, não há mar, não há rios, não há sequer árvores ou animais.

Não há música, nem ruído, nem som algum, excepto o do vento de areia quando se vai levantando aos poucos - e esse é assustador. Será assim a morte, também, Cláudia?



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Quando um de nós ficava parado a contemplar o deserto, o outro não deveria dizer nada. Tudo o que se pudesse dizer, naquelas alturas, ali, em frente ao nada ou ao absoluto, seria tão inútil que só poderia vir de uma alma fútil. Tudo o que se diz de desnecessário é estúpido, é um sinal destes tempos estúpidos em que falamos mais do que entendemos. No deserto, não há muito a dizer: o olhar chega e impõe o silêncio.



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Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia.

A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto.

Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo “nada”, eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito, Cláudia!

Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida.

Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, “leves”, disponíveis, sensíveis e interessantes.

E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.

Eu próprio não creio que lá volte mais. A menos que tu descesses das estrelas e quisesses vir comigo outra vez.

 


(No teu deserto - Quase Romance, de Miguel Sousa Tavares, Oficina do Livro, 1ª Edição, Julho de 2009)




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