25 novembro 2011

Do Deserto E De Tudo À Volta



Uma Viagem Com Sentido!


O Deserto E Tudo À Volta
 


DAS ETAPAS

Mapa EtapasMarrocos20101009#0000 (0017) [JMB]Marrocos20101011#0000 (0114) [JMB]

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DO PERCURSO







Ser Nómada… em Marrocos [20 Setembro 2010] - Exaustivamente preparada nos últimos meses sem, todavia, descurar o Marrocos20101010#0000 (0126) [JMB]improviso e a aventura – no risk no fun –, com todos os ingredientes para tornar esta uma viagem inesquecível e intimista. Retomando percursos e descobrindo outros, reconhecendo e planejando Expedições futuras. Revisitando as gentes e os lugares que nos prenderam para sempre, penetrando nos mais recônditos ainda por descobrir, escolhemos o emblemático e o obrigatório, o desconhecido e a novidade.


Chefchaouen [06 Novembro 2010] - Encrostada na colina ou acocorada a meia encosta como que escondida dos olhares furtivos ou estendida na sombra tímida do sol do final da manhã, digo no final da manhã porque ainda não tarde mas quase abres-te ao que passa despedaçando invólucros a quem te procura e de ti se aproxima de olhos esbugalhados.

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Fès [11 Novembro 2010] - Aí estava ele, nós aguardando no foyer, altivo, jilaba preta e ar académico de quem percebia da coisa e cordial e simpático. Permanecemos afundados nos sofás escutando os preambulares históricos sobre a cidade, a velha a nova e que afinal eram três. Dissemos claramente o que queríamos visitar como claramente lhe dissemos que não queríamos ir às compras apenas uma visita cultural aceitando as suas sugestões profissionais. Evidentemente pas de problème que só compraríamos se quiséssemos como se nós não soubéssemos a treta que isto é e foi!

Marrocos20101012#0000 (0019) [JMB]Floresta de Cedros e Sources de L’Oum-er-Rbia [19 Novembro 2010] - Sair dos subúrbios da Grande Cidade Imperial revelou-se tarefa algo atribulada pois nem todos rendidos ainda à eficácia do Sistema de Posicionamento Global que era só seguir o track previamente gravado…! O almoço estava previsto nas pouco conhecidas Sources de L’Oum-er-Rbia, lugar mágico e felizmente fora das rotas dos roteiros turísticos. — Porra, é isto…?! andámos tanto para ver pedras…?! onde tá o restaurante?!

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Planalto dos Lagos, Imilchil [25 Novembro 2010] - Poder-se-ia chamar a este planalto desértico do Médio-Atlas marroquino, a cerca de 2.500 metros de altitude, o Planalto dos Noivos devido à existência de lagos nas crateras de dois vulcões, separados por uma dezena de quilómetros: o Tislit (A Noiva) e Islit (O Noivo). Reza a lenda que dois amantes, pertencentes a tribos berberes inimigas, foram impedidos de casar pelas respectivas famílias. Haviam já trocado votos e com os corações despedaçados sentiram que lhes era impossível viverem separados pelo que resolveram afogarem-se nos dois lagos.

Marrocos20101014#0000 (20101015#60) [JMB]A Caminho do Grande Sul [11 Dezembro 2010] - Fascínio pelo Sul! Da terra. Das coisas. Das gentes. Caminhos de aventura e sensualidade. Da descoberta e da irrefutabilidade dos momentos. Da correnteza da nossa irracionalidade. Dos encontros e desencontros da vida. A magnitude dos sentidos… A caminho do Sul...

Um Chá no Deserto Doirado [18 Dezembro 2010] - Existem lugares na Terra que por qualquer razão exercem sobre nós um fascínio inexplicável, nos prendem inexoravelmente, para sempre.Marrocos20101015#0000 (0139) [JMB]
Pela sua beleza, originalidade ou imponência, acontece algumas vezes na nossa vida sentirmos o seu chamamento, o seu apelo até ele.
Esse lugar de que falo, existe. Sobretudo, para mim…!
Tão pequeno que nos cabe no coração.
Tão imenso que nos esmaga.
Tão intenso que nos apaixona!
É assim… neste recanto do Sahara…
neste meu pequenino deserto onde me perco…
... onde me reencontro!

Das Planícies Desérticas às Profundezas Montanhosas (Gargantas do Todra) [15 Janeiro 2011] - Deixando vagarosamente a Marrocos20101016#0000 (0206) [JMB]planície ondulada de cor pimenta onde o vento levantando o pó das areias tristes da partida comove como que acenando até breve, apoderando-se do espírito que nem uma última paragem antes de deixar o Erg Chebbi serve de consolação no derradeiro café deleitado defronte das dunas nascidas mesmo ali aos nossos pés: eis a nostalgia que assalta. Em cada aldeola um punhado de crianças irrequietas descalças sujas rasgadas bem nutridas e sorridentes nos assaltam em pedinchice desconcertante soltando de rajada e por esta ordem cadeaux bombons stylos dirham dirham [ufa!], estendendo as mãos enegrecidas, rasgando sorrisos, conquistando simpatias. Não há outra forma de conhecer este maravilhoso país senão abdicando de folhetos mais ou menos turísticos e trilhar às profundezas. Se querendo penetrar na alma destes povos há que habitá-la… ainda que por um momento apenas!

Gargantas do Dadès [23 Fevereiro 2011] - Subir através das Gargantas do Todra até aos mil e oitocentos metros onde se pendura a aldeia de Tamtattouchte, depois de uma curta pausa no alpendre do primeiro andar daquele café - como quem esfrega os olhosMarrocos20101017#0000 (0264) [JMB] refazendo a acuidade visual dilacerada pela extrema beleza agreste e monumental da paisagem absorvida e degustada com alma - e regressar pela mesma estrada até Tinerhir foi a opção tomada. Subindo com todo o vagar do mundo numa morna languidez através da R704 até às estreitas e espectaculares Gargantas do Dadès na cota dos 1750 m e - coisa estranha e repetitiva que não maçadora, de maneira nenhuma - um esgar e uma vertigem! Um deixar escorrer os olhos por esta vertente esticada na vertical aprumada quase de mergulho no rio sinuoso, estreito e leitoso lá no fundo do penhasco onde adolescentes-formigas aprisionando os últimos raios de sol  se… deleitam! De Ouarzazate parte-se ou chega-se a todo o lado, autêntica Rosa dos Ventos: as Pistas do Sul através de Zagora e Vale do Drâa; o leste de Merzouga e Erg Chebbi; para noroeste acede-se a Marrakech; caminho para a Costa de Agadir, a oeste; para nordeste, Errachidia e Midelt; para norte as pistas do Médio e Alto Atlas.

A Pista para Telouèt ou o Espírito do Viajante [09 Junho 2011] - É quase asfixiante e um deslumbramento tal que os quilómetros correm, digo passeiam vagarosamente, demoradamente por nós que é preciso tudo absorver e gravar nas nossas Marrocos20101018#0000 (0063) [JMB]mentes mais do que nas câmaras de vídeo ou fotográficas. Ao correr do tempo, do rio e de curva após curva, curva após recta… e o verde dos campos cultivados de sobrevivências e palmeirais ocultando o pulsar de vidas simples. Pão, manteiga, duas grandes pedras de açúcar não-refinado, amêndoas e chá foram servidos num cerimonial de ajeitar o lenço da cabeça de Fatma, de compenetrada postura – seriedade pelo serviço como se de um ritual se tratasse… A seguir aos rituais do chá – devolvendo-os ao lugar a que pertencem que este é um lugar de dádivas e trocas sinceras de um povo para o qual o étranger, logo infiel, ainda assim um ser humano respeitado, contrariando em absoluto o maniqueísmo das teses  fundamentalistas – a alegria na luz difusa, as bocas cheias de sorrisos neste lugar onde se trocam os afectos por outros ainda e sempre maiores numa espiral de generosidade e pertença. A paisagem mais bonita… melhor, a mais exuberante pista de Marrocos é aqui, na região dos glaouis, enquanto o asfalto prometido mas indesejado não é preenchido por um certo e previsível turismo de sobranceria em luxuosos autopullmans. Um absurdo de beleza e harmonia em que o que resta até Telouèt ainda nos há-de revelar uma inédita surpresa: as minas de sal em pleno Atlas, outrora apelidado País Glaoua. Entrar na Grande Cidade Vermelha do Sul àquela hora de final de dia início de noite – e não digo em hora de ponta porque dizê-lo seria deturpar a realidade dos factos por na Grande Cidade a hora ser sempre de ponta – é uma experiência alucinante e única, capaz de Marrocos20101018#0002 [(19)0425] [JMB]esfrangalhar o sistema nervoso ao mais fleumático dos mortais! O GPS indica-nos a exacta localização do Golden Tulip Farah Hotel mas nada nos diz, prevenindo, sobre a vivacidade e o caos que nos esperam nas rotundas e fora delas, nos semáforos e fora deles, nas avenidas e nas ruelas adjacentes à Medina de motocicletas e bicicletas e fumos e carros e autocarros e buzinas e camiões e táxis e ruídos e carroças e burros e cheiros intensos e apitos de polícias e peões no meio das ruas que os passeios são enfeite urbano, e hordas de turistas e cores e pessoas às centenas e aos magotes vindas e idas para todo o lado e em todas as direcções, entrecruzando-se com uma desenvoltura indescritível! Admirável, caro leitor! e tudo o que aprendeu nas lições de Código e aulas de Condução esqueça, estamos em África... chegámos a Marrakech!

Marrakech: Na Cinza Do Olhar [02 Outubro 2011] - Alucinante e inolvidável o frenético movimento do tráfego e das pessoas pelo meio das ruas que os passeios são Marrocos20101019#0000 (0307) [JMB]enfeite urbano. O caos das rotundas e fora delas em que a prioridade pertence, indiscutivelmente, a quem primeiro chega nos semáforos e fora deles em que o vermelho apenas uma miragem de motocicletas e bicicletas nas avenidas e nas ruelas adjacentes à Medina de fumos e carros e autocarros e buzinas e camiões e táxis e carroças e burros. E ruídos de apitos de polícias e peões e hordas de turistas e cores e pessoas às centenas e aos magotes vindas e idas para todo o lado e em todas as direcções entrecruzando-se sem atropelos numa desenvoltura indizível. E cheiros intensos a bosta o combustível queimado o perfumado das mulheres de negro as frutas do mercado, as especiarias multicolores que Marrakech tem um odor único e intenso de sonho e fantasia.

Marrakech: Jardin Majorelle E A Orgia Das Cores [06 Outubro 2011] - O Jardin Majorelle é um dos jardins mais Marrocos20101019#0000 (0102) [JMB]misteriosos do séc. XX, lugar de força mística e de rara expressão pessoal. Detém abundância de formas e de espécies botânicas representando os cinco continentes que fazem de Jacques Majorelle o mais importante coleccionador de plantas da sua época. Uma verdadeira obra de arte que não cessa de capturar, de fascinar e de encantar os seus visitantes em que o azul especial Marrocos20101019#0000 (0601) [JMB]que Jacques utilizou para pintar o Jardim foi nomeado, em sua homenagem, por Azul Majorelle. Estas imagens agora aqui expostas constituem uma pálida reprodução do que senti ao entrar, pela primeira vez, neste magnífico jardim. Tão fascinado pelas cores e pelas nuances de luz envolvente que me deixei arrastar - deambulando extasiado -, irresistível e conscientemente, pelos objectos e pelas luzes neles reflectidas, mais do que, obviamente, se imporia: fotografar a natureza e as suas variedades botânicas à disposição neste paraíso. Ficará para a próxima oportunidade, certamente.

Essaouira: O Mar, o Peixe e as Artes [29 Outubro 2011] - Partir de Marrakech com um certo travo amargo da melancolia, deixando para trás – não se sabendo até quando  num adeus até breve – a Cidade Perfeita que nos enche a alma ao encontro dessa outra de magia imprecisa… Essaouira. Alenta-nos a vontade de rever o oceano de há tantos dias desaparecido e aguçam-se os apetites por aquele que haverá de ser um memorável almoço de variedades de peixe fresco, escolhido e mandado grelhar, servido nas esplanadas,Marrocos20101020#0000 (0191) [JMB] defronte para o mar. Enfim… Essaouira, cidade da costa atlântica de Marrocos com cerca de 72 mil habitantes mantém o charme e a autenticidade de uma terra perdida no tempo. A sua medina encanta viajantes do mundo inteiro que aqui chegam à procura de um refúgio mágico e de ondas perfeitas. Com uma localização estratégica, foi redescoberta nos anos 60 por viajantes solitários e pelas vagas de hippies enamorados de Marrocos, tornando-se um local mítico para uma pequena elite de intelectuais, um refúgio de pintores, escritores, músicos, actores e realizadores de cinema de todo o mundo. Calcorrear vagarosamente as ruelas da medina é como banhar-se numa multidão polimorfa – integrando-se e dela fazendo parte – a quem a música gravada proveniente das lojas ou tocada ao vivo pelos artistas que deambulam, conferem um ambiente exótico capaz de nos enaltecer, tocando fundo o espírito e a emoção, que nem o decorrente incêndio num restaurante – interditando a nossa visita à muralha – nos impede de saborear e usufruir…

Casablanca de passagem [03 Novembro 2011] - Não sendo o percurso mais rápido — iMarrocos20101021#0000 (20101022#0050) [JMB]ndubitavelmente muito mais bonito e aprazível —, partir de Essaouira pela estrada da costa, a R301, rumo a Casablanca, tendo como horizonte o Atlântico e atravessando pequenas ou médias vilas ou cidades piscatórias, como Safi, Cabo Beddouza, Oualidia ou El-Jadida, é o nosso propósito. Esta última, merecendo uma visita mais demorada — até porque os apetites se revelam vorazes e o mar nos inspira —, oportunidade para a revermos e apreciarmos a sua elegante marginal marítima, tipicamente sul marroquina. Apenas a pouco mais de uma quarentena de quilómetros até à grande metrópole, eis-nos chegados aos limítrofes, investindo para o centro da cidade num caos de trânsito — olhem só que novidade! —, de fumos e de uma espécie de névoa sem melancolia, outrossim de carácter definitivamente sombrio e pouco saudável: o smog que se desprende do chão e que teimosamente permanece contundente por cima da cidade. Nada de surpreendente, avaliadas as proporções e a dimensão demográfica de Casablanca. Grande sem ser grandiosa, pouco tem de especialmente atractivo para quem regressa do sul e do interior deste majestoso Reino. Serve para repousar, dar uma volta nocturna de petit táxi até ao Boulevard de La Corniche, e, percorrendo-o a pé, apreciar alguns vícios e modas ocidentalizadas — com algum charme, sim, mas... — sem grande alma. Em minha opinião.

Assilah e a Muralha da Surpresa [10 Novembro 2011] - Larache vale por uma breve visita para sentir o cheiro intenso do mar, apreciar o peixe grelhado e usufruir doMarrocos20101022#0051B (0256) [JMB] pulsar de vida de uma típica cidade costeira marroquina. Assilah é uma cidade fortificada na ponta noroeste da costa atlântica, a cerca de 30 km a sul de Tânger. No seu interior, a medina revela-se-nos extremamente atractiva, toda pintada de branco e azul ao estilo andaluz, limpa e bem conservada em que o paredão oferece uma panorâmica encantadora sobre o oceano fazendo dela uma das cidades mais atraentes de Marrocos. Em Agosto, durante o Festival Cultural Internacional de Asilah que se realiza desde 1978, uma série de paredes das casas são transformadas em originais telas de pintura, algumas delas – as melhores – sobrevivendo até ao próximo Festival. Chegar ao porto de Tânger ao anoitecer confere uma áurea de mistério e as sempre demoradas e fastidiosas manobras alfandegárias provocam em nós uma crescente ansiedade. Não por regressar a casa mas, já que temos de ir, que o façamos rapidamente que estamos cansados e esfomeados. Jantar comida de plástico no ferry boat é o que nos espera antes de entrarmos na Andaluzia, por Tarifa.

NOTA: clicando em cada fotografia será redireccionado para o respectivo álbum, clicando em cada título será redireccionado para o respectivo artigo integral.


DOS ÁLBUNS DE VIAGEM (FotoDiário)

As Mil #0000 [JMB]Mais de Mil #0000[JMB]Três Mil #0000[JMB]

Parte I                                        Parte II                                        Parte III


DOS 4VENTUREIROS





um abraço muito especial ao nosso querido amigo


… e de tudo resta uma imensa saudade!



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10 novembro 2011

Assilah e a Muralha da Surpresa



Marrocos20101022#0051B (0256) [JMB]




Depois das fotografias obrigatórias na Mesquita Hassan II, havíamos de sair de Casablanca a meio da manhã, rumo ao sul de Espanha, num total de 462 km, utilizando a auto-estrada A3 a partir de Mohammedia, contornando e evitando Rabat e Kenitra – que o tempo urgia –, entrando na costeira A1 até Larache, para visita rápida e almoço junto ao mar.

Larache (El Araich ou Laraxe) é uma cidade portuária – um dos vértices do triângulo com Tânger e Tétouan, a 30 km de Ksar-el-Kebir (Alcácer Quibir) –, fundada no século VII quando um grupo de soldados muçulmanos da Arábia alargou o seu acampamento em Lixus (importante núcleo romano em ruínas, a 5 km de Larache, não tão impressionantes quanto as de Volubilis) para a margem sul do oued Loukos.

Em 1471, os colonos portugueses de Asilah e Tânger levaram os habitantes de Larache, deixando-a desabitada até que o sultão Mohammed Saadi Ash-Sheikh decidisse repovoá-la e construir uma fortaleza no planalto do rio Loukos, na entrada do porto, controlando o acesso ao rio. No auge do século XV Portugal fez de Larache o maior porto marroquino, construíram a fortaleza da Graciosa em 1489 para controlar a pirataria. O kasbah, que foi construído em 1491 por Moulay en Nasser, tornou-se, mais tarde, um reduto de piratas. Em 1610, a cidade passou para os espanhóis que por lá permaneceram até 1689 quando Moulay Ismail, finalmente, retoma a cidade. Os ataques a Larache continuaram permanecendo em mãos muçulmanas. Em 1765 uma frota francesa falhou na expedição a Larache e, na época da colonização, entre 1911 e 1956, Espanha administrou a cidade.

Larache vale por uma uma breve visita para sentir o cheiro intenso do mar, apreciar o peixe grelhado e usufruir do pulsar de vida de uma típica cidade costeira marroquina. A velha medina, o kasbah de La Cigogne e o museu arqueológico construído na cidadela espanhola merecem uma visita. Os muros que cercavam a medina e o kasbah, agora em ruínas, adicionam um ar interessante à cidade. Pese o facto de esta ter já conhecido melhores dias, possui ainda uma atmosfera agradável, sendo a cidade nova um bom exemplo da arquitectura colonial espanhola, com as cores dos prédios em branco e azul. Por curiosidade, aqui se encontra sepultado, no cemitério espanhol, o romancista, poeta, dramaturgo e activista político Jean Genet (1910-1986).

Retomando a nossa A1 na direcção do norte, impõem-se uma nova paragem, 25 km acima, desta vez mais demorada e que se irá revelar numa autêntica e agradável surpresa. Já conhecia Asilah de passagem mas nunca lhe tinha tomado o gosto, penetrando-a no que ela tem de mais admirável…

Asilah (Assilah ou Arzila) é uma cidade fortificada na ponta noroeste da costa atlântica, a cerca de 30 km a sul de Tânger. Conquistada pelos portugueses em 1471 e abandonada em 1549, as suas muralhas foram por eles construídas nos séculos XV e XVI, sendo o seu nível de preservação, em parte, resultado de restauração recente. No seu interior, a medina revela-se-nos extremamente atractiva, toda pintada de branco e azul ao estilo andaluz, limpa e bem conservada em que o paredão oferece uma panorâmica encantadora sobre o oceano fazendo dela uma das cidades mais atraentes de Marrocos.

Em 1692 a cidade foi tomada pelos marroquinos tendo servido como base para os piratas nos séculos XIX e XX. De 1912-1956 teve administração espanhola e em 1978 surgiu o grande plano para restaurar a cidade. Estancia balnear com complexos de férias, modernos apartamentos na estrada da costa que conduz à cidade de Tânger e abrigo anual de festivais de música e de arte, incluindo um festival de pintura mural.

Com as cidades movimentadas de Tânger e Tétouan por perto, não faltam turistas ao redor que procuram em Asilah um local descontraído e bonito, lembrando-nos a Grécia — pelos melhores motivos! —, ostentado no seu estilo mediterrâneo com casas caiadas de branco, quebrado por algumas pinturas nas paredes. Ponto de encontro de artistas que vão deixando vestígios da sua actividade ao virar de cada esquina das estreitas ruelas.

O Verão é a época mais aconselhada para visitar Asilah recebendo os visitantes através de festivais de diferentes tipos. Em Agosto a arte e a música são os ingredientes principais.
Em Agosto, durante o Festival Cultural Internacional de Asilah que se realiza desde 1978, uma série de paredes das casas são transformadas em originais telas de pintura, algumas delas – as melhores – sobrevivendo até ao próximo Festival. Todos os anos artistas e intérpretes chegam de todo o mundo para participarem neste peculiar evento deixando para trás murais pintados nas paredes caiadas de branco da cidade, sendo, em grande parte, realizado no Palais de Raisouli bem como no Centro de Hassan II onde há uma exposição permanente de arte.

Grande parte da cidade é de uso estritamente pedonal em ambiente agradável e tranquilo. Lugar amigável com boa comida e excelentes praias. O encanto de Asilah é a sua antiga cidade murada em alguns penhascos acima do Oceano Atlântico, oferecendo das muralhas ao visitante excelentes pontos de vista sobre o mar com ondas batendo furiosamente no fundo da falésia – em grande parte, a razão para a existência de Asilah, criando uma defesa eficaz contra os antigos atacantes. A praia de Asilah é extremamente bem localizada, ao longo de um quilómetro a norte da medina, e Paradise Beach — outra praia famosa, 3 km ao sul — um verdadeiro paraíso para os entusiastas do surf, muito popular entre os moradores e forasteiros. Outras há igualmente bonitas mas de difíceis acessos.

Chegar ao porto de Tânger ao anoitecer confere uma áurea de mistério e as sempre demoradas e fastidiosas manobras alfandegárias provocam em nós uma crescente ansiedade. Não por regressar a casa mas, já que temos de ir, que o façamos rapidamente que estamos cansados e esfomeados. Jantar comida de plástico no ferry boat é o que nos espera antes de entrarmos na Andaluzia, por Tarifa.

E o repouso na linda Vejer de La Frontera, boa-noite!
 

Fontes de Informação
 

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Ser Nómada em Marrocos (FotoDiário de Viagem)

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MaisdeMil0000JMB_thumb64            TrsMil0000JMB_thumb64

Parte II                                                        Parte III



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